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Tarifa de Trump não derruba exportações de Lins e Promissão, e apenas redireciona vendas a outros mercados

JBS em Lins (Foto: Serafim Show)

A tarifa de 50% imposta pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, em vigor desde agosto, não provocou queda nas exportações de Lins e Promissão — embora tenha alterado o destino de parte dos embarques. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que os dois municípios mantiveram desempenho estável até outubro, indicando que o mercado conseguiu se adaptar rapidamente à nova taxação.

Temor inicial e reação do mercado

A medida, anunciada pelo presidente Donald Trump (Republicano) por meio da rede Truth Social, previa sobretaxa de 50% sobre todos os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. O temor era que a alta inviabilizasse as exportações de carne e derivados — principais produtos das duas cidades — e reduzisse significativamente as vendas ao mercado americano.

O que se observou, porém, foi o contrário: as empresas locais reagiram com agilidade, encontrando novos destinos e mantendo o volume exportado. Os Estados Unidos perderam participação, mas os valores gerais continuaram praticamente inalterados.

Lins redireciona embarques e mantém desempenho


Em Lins, o desempenho mensal mostra a força da indústria frigorífica e a capacidade de adaptação ao cenário internacional.

Janeiro — R$ 81,1 milhões
Fevereiro — R$ 69,3 milhões
Março — R$ 80 milhões
Abril — R$ 84,4 milhões
Maio — R$ 91,7 milhões
Junho — R$ 78,1 milhões
Julho — R$ 112,1 milhões
TAXA
Agosto — R$ 94 milhões
Setembro — R$ 86 milhões
Outubro — R$ 100,1 milhões

O mercado americano representava 27,2% das exportações de Lins antes da entrada em vigor da tarifa, caindo para 12,8% em outubro, conforme o último dado consolidado do Comex Stat. Mesmo assim, o valor total exportado pela cidade não diminuiu, o que indica uma realocação dos embarques para outros mercados.

Mais de 75% das exportações de Lins correspondem a carne bovina e subprodutos, com a unidade da JBS como principal responsável. Parte do volume que antes seguia para os EUA passou a ser destinada a países asiáticos, africanos e também europeus, a exemplo da Holanda. A Índia, por exemplo, aumentou sua fatia de apenas 1% para 4,9% das compras até outubro.

Promissão amplia vendas à China


Em Promissão, o impacto da tarifa foi praticamente nulo — e o desempenho, ainda mais expressivo. O município registrou resultados consistentes ao longo do ano, mesmo após a entrada em vigor da medida.

Janeiro — R$ 66,4 milhões
Fevereiro — R$ 63,4 milhões
Março — R$ 63 milhões
Abril — R$ 63 milhões
Maio — R$ 56,6 milhões
Junho — R$ 95,1 milhões
Julho — R$ 73 milhões
TAXA
Agosto — R$ 93 milhões
Setembro — R$ 93,2 milhões
Outubro — R$ 89,7 milhões

No total, o município exportou US$ 756,7 milhões entre janeiro e outubro, com total predominância da carne bovina e seus derivados. Mesmo antes da tarifa, os Estados Unidos tinham peso reduzido na pauta local — 6,5% no primeiro semestre — e agora representam apenas 1,7% das exportações promissenses.

O destaque fica por conta da China, que ampliou sua participação de 55% para 71,6% no período, consolidando-se como principal destino da produção da Marfrig