Enquanto a COP 30 discute em Belém (PA) os próximos passos para conter o aquecimento global, dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG) mostram que apenas Penápolis e Guaiçara registraram aumento nas emissões de gases poluentes desde 2011 entre os cinco municípios avaliados da região. As demais cidades — Lins, Promissão e Avanhandava — apresentaram redução no mesmo período.
A comparação acumulada revela que Guaiçara teve alta de 7,9% e Penápolis de 6,9% entre 2011 e 2024. Já Lins reduziu 4,9%, Promissão caiu 24,4% e Avanhandava apresentou a maior queda, com redução de 38% nas emissões totais. O recorte destaca que Penápolis e Guaiçara destoam da tendência regional de queda.
Em 2024, Penápolis totalizou 230,9 mil toneladas de gases de efeito estufa. O valor é inferior ao pico recente registrado em 2023, quando a cidade alcançou 249,2 mil toneladas, mas ainda acima do patamar observado no início da série histórica. A cidade se mantém há mais de uma década dentro de uma faixa de variação moderada, sem avanços bruscos.
A evolução anual reforça esse comportamento estável. Penápolis registrou 215,9 mil toneladas em 2011, atingiu o menor nível da série em 2015 (181 mil toneladas), voltou a subir gradualmente nos anos seguintes e encerrou 2024 com 230,9 mil toneladas.
A maior parte das emissões penapolenses vem da agropecuária, que somou 102,2 mil toneladas em 2024. O setor de energia aparece logo atrás, com 92,4 mil toneladas, incluindo o uso de combustíveis e a queima de biomassa em usinas de álcool e açúcar — prática renovável, mas que ainda libera gases durante a combustão. As emissões provenientes de resíduos sólidos chegaram a 34,7 mil toneladas.
A COP 30, que ocorre em Belém, reúne chefes de Estado, especialistas e representantes de mais de 190 países para revisar metas climáticas e discutir compromissos de redução de emissões até 2035. Municípios de porte médio, como Penápolis, têm papel relevante no cumprimento dos objetivos nacionais, por reunirem atividades agrícolas, consumo urbano e geração energética baseada em biomassa.
O SEEG é uma iniciativa do Observatório do Clima, rede formada por mais de cem organizações da sociedade civil, e é considerada uma das maiores bases de dados de emissões de gases de efeito estufa do mundo.
