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| PC de Promissão (Foto: DN) |
A Polícia Civil de Promissão indiciou por injúria racial o homem acusado de imitar um macaco em direção à moradora promissense Claudete Souza, de 58 anos. O caso teria ocorrido no bairro Nosso Teto, na manhã do último dia 31 de outubro.
Na data, o indiciado teria levantado os braços, chacoalhando-os, e ainda emitido sons quando a mulher voltava da casa de uma amiga. Em seguida, teria entrado em seu veículo e arrancado do local.
Desde então, a vítima procurou a imprensa para relatar o ocorrido e o sentimento de impotência que a tomou. Por um acaso do destino, o ato ganha ainda mais relevância às vésperas do Dia da Consciência Negra, celebrado no dia 20, e pode se transformar em um símbolo de luta na cidade.
“Eu não devo me calar, porque eu fui muito humilhada por este cara. Ele não teve um pingo de consciência ao imitar o macaco para mim. Tenho dificuldade de sair de casa, fico deitada no sofá, chorando. Simplesmente, ele acabou com a minha autoestima”, afirmou Claudete.
O delegado titular da cidade, Lucas Melo, ouviu diversas testemunhas e considerou que os elementos colhidos são suficientes e demonstram, com a certeza exigida nesta etapa de persecução penal, que o investigado praticou o delito previsto no artigo 2º da Lei 7.716/1989, que trata da ofensa à dignidade de alguém por motivos de raça, cor, etnia ou procedência nacional.
CONTRADIÇÃO DE HORÁRIO
O Diário da Noroeste teve acesso ao Relatório Final já encaminhado ao Ministério Público, no qual o delegado identificou uma contradição relevante nos horários apresentados pelo investigado e pelas testemunhas.De acordo com o documento, o investigado prestou depoimento acompanhado de três advogados e limitou-se a afirmar que já não estava no local no horário informado pela vítima e, por isso, não poderia ter cometido tal fato. Ele declarou ter saído às 7h30 do local para prestar um serviço em uma indústria da cidade, versão que foi confirmada por seu funcionário.
Já a vítima e duas testemunhas que teriam visto a cena declararam que a situação ocorreu por volta das 8h30. Além disso, outros relatos de funcionários da indústria dão conta de que o acusado só teria chegado ao serviço por volta das 9h.
Neste contexto, o delegado entende que haveria tempo suficiente para praticar a injúria e, em seguida, deslocar-se até a indústria para realizar o serviço. Confrontando o próprio depoimento do investigado — de que teria saído às 7h30 — ele teria, portanto, demorado 1h30 para percorrer um trajeto que dura aproximadamente 10 minutos.
ABALO EMOCIONAL
A testemunha confirmou que sim, mas só entendeu a gravidade da situação quando a vítima começou a chorar compulsivamente, soluçando e tremendo. A testemunha então a abraçou.
O indiciamento deve agora ser distribuído para a Promotoria de Justiça de Promissão. Nesta fase, cabe ao promotor que receber o caso oferecer a denúncia ao Judiciário local ou promover o arquivamento.
